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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A Menina que Semeava


Chris Astor é um homem de seus quarenta e poucos anos que está passando pelo mais difícil trecho de sua vida. Ele tem uma filha, Becky, de 14 anos, que já passou imensas dificuldades até chegar a se tornar uma moça vibrante e alegre, mas que parece que terá que enfrentar mais um grande problema em sua vida. Quando Becky era pequena e teve câncer, Chris e ela inventaram um conto de fadas, uma fantasia infantil que adquiriu vida e tornou-se um terrível, provavelmente fatal, problema. Agora, Chris, Becky e Miea (a jovem rainha da fantasia criada por pai e filha) terão que desvendar um segredo: o segredo de por que seus mundos de fantasia e realidade se juntaram neste momento. O segredo para o propósito disso tudo. O segredo para o futuro. É um segredo que, se descoberto, irá redefinir a mente de todos eles.A menina que semeava é um romance de esforço e esperança, invenção e redescoberta. Ele pode muito bem levá-lo a algum lugar que você nunca imaginou que existisse. Uma fantasia que trabalha assuntos densos como a separação dos pais, oncologia infantil, separação de filha e pai, adolescência. A menina que semeava não é um livro sobre adolescentes comuns. É sobre uma que se deparou prematuramente com a ameaça do fim e teve de tentar aprender a lidar com ele.
Confesso que geralmente fujo de livros que relatam doenças, principalmente quando existem crianças envolvidas. Quando leio livros com essa temática, não consigo me desligar da história e fico sofrendo mesmo depois de ter terminado a leitura. Sendo assim, estava indecisa se leria ou não “A menina que semeava”. Por fim, a capa maravilhosa (merece super destaque, o pessoal da criação está de parabéns) e a curiosidade sobre Tamarisk me convenceram a ler.

Para tentar confortar sua filhinha Becky que estava com câncer, Chris teve a ideia de criar um conto de fadas. Sugeriu que ele e a filha criassem um mundo onde poderiam existir plantas jamais vistas, cores inusitadas, reis, rainhas e quaisquer outras coisas que a imaginação fosse capaz de criar. Tamarisk surgiu como uma simples fuga da realidade e tornou-se um hobby para pai e filha, continuando a existir mesmo depois que os tempos difíceis passaram. 

“Ele detestava a ideia de tudo isso ser tão assustador e confuso para ela. E adoraria poder dizer a ela que tudo ia ficar bem e ela acreditar nele. Mas a sua linguagem corporal conta uma história diferente.
Naquele momento, ele teve uma ideia, como se a houvesse recebido de algum entregador de um serviço postal extraterrestre.” Página 54

Quando Chris e sua esposa se separaram, Becky decidiu parar com as histórias sobre Tamarisk. Com isso, sua relação com o pai tornou-se cada vez mais distante.

Quatro anos depois, Becky é uma adolescente de 14 anos, que vive uma vida normal. Sai com sua melhor amiga, tem uma ótima relação com a mãe e com o padrasto e é uma boa filha. Já Chris encontra muita dificuldade em se relacionar com as pessoas e vive em função das poucas horas que passa com a filha durante o final de semana.

Becky não consegue entender porque o pai não a trata com a franqueza de antigamente. Ele não mostra o quanto está insatisfeito com a situação, não reclama e não diz o que realmente pensa. Em resposta, Becky se fecha cada vez mais para a relação deles. Certo final de semana, Chris finalmente se cansa da atitude indiferente da filha e discute com ela. Desconsolada, ela vai para sua antiga cama e chora preocupada com o futuro, com o pai e com alguns sintomas que tem sentido nos últimos tempos. 

De repente, ela sente um leve puxão e percebe que está em algum outro lugar. Sem entender se está sonhando, ela vê uma jovem que se parece muito com Miea, a princesa que ela criou com todo carinho para Tamarisk. O mais incrível é que Miea também consegue vê-la e, mesmo sem saber ao certo como, as duas começaram a conversar. Porém, tão rápido como começou, tudo acabou. De repente Becky estava de volta em seu quarto, com a mente acelerada. Seria possível? 

“Becky fechou os olhos e revisitou Tamarisk em sua mente. Ir até lá uma vez por semana não seria suficiente.” Página 139

Durante todo o livro, existem duas histórias acontecendo simultaneamente. Primeiro conhecemos um pouquinho sobre Becky e sua família. Em seguida, somos apresentados a rotina de Tamarisk e a princesa Miea. As histórias seguem por um tempo separadas até que se cruzam, no primeiro contato entre Becky e Miea. A partir daí, elas passam a fazer parte da vida uma da outra mesmo quando não estão juntas. Becky descobre que Tamarisk está condenada por uma praga, que parece ser indestrutível. Enquanto isso, Miea descobre que o câncer de Becky está de volta, e que as chances de cura são pequenas. 

Sinceramente, o livro me surpreendeu. O autor mostrou desde a dificuldade da convivência após a separação até as preocupações amorosas de uma adolescente. Mostrou uma grave doença, a fé, a descrença e o medo. Tudo isso de uma forma extremamente humana, em uma atmosfera um tanto mágica. Tamarisk fez com que o livro se tornasse mais do que apenas uma história sobre câncer. Tornou-se uma história sobre superação, com doses certas de drama, emoção e esperança.
Super recomendo a leitura!

“A intenção dele era que as histórias ajudassem com a transição, mas, em vez disso, o corpo de Becky conseguiu forçar o câncer a ir embora. Ao que parece, foi uma luta que não dava para ser vencida desde o começo. Será possível que as histórias realmente tivessem outro propósito?” Página 350

P.S.: Fiquem de olho, pois no próximo post vou colocar no ar o sorteio de um exemplar desse livro. ;)

* Esse livro foi uma cortesia da Editora Novo Conceito.

7 comentários:

  1. Oi Gabi!
    No começo eu não entendia muito bem o que a capa tinha a ver com a história mas agora imagino que a menina da capa seja a Miea?
    A narrativa é em primeira pessoa ou terceira? Será que fica fácil separar os dois mundos durante a leitura? Achei bacana essa ideia e pretendo lê-lo em breve! =)

    Beijos!

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    1. Oii Jéh!
      Eu acredito que sim, é a Miea. Quanto a narrativa, eu não tive dificuldades para separar os mundos não, eles são bem diferentes!
      Depois me conta o que achou!

      Beijo

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  2. Estou DOIDA para ler este livro. De verdade!
    O combo: título + capa + sinopse me ganharam fácil e a quantidade de páginas em nada me assustou.

    Eu amo livros que tenham este "q" familiar em suas histórias e ler sobre a visão de um pai (já que estamos tão mais acostumados ler sobre mães) fez com que a sensibilidade da história ganhasse um novo tom para mim.

    Acho que também irei me surpreender com este livro =)

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    1. Daniela, esse outro ponto de vista enriquece o livro, com certeza!
      Leia sim e depois me conte o que achou!
      Beijos!

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  3. Estou super curiosa em relação a esse livro.
    Parece ser uma história bastante interessante.
    Ah, e achei a capa LINDA demais, chama super a atenção.
    Adorei sua resenha.

    Beijokas
    Caroline Garcia

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  4. Esse livro está me chamando pela capa, linda, linda, linda. Agora que li sua resenha então, me chamou mais atenção. Quero muito ler :)

    http://momentoliterario1.blogspot.com.br/

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  5. Puxa, que resenha deliciosa! Posso dizer que é a primeira do livro que realmente me encantou e me conduziu a esse mundo particular, onde a tentativa desesperada de um pai em salvar sua filha é profunda, mágica e sensível. Não sabia de detalhes da obra, que vc citou aqui, como a dificuldade de relacionamentos, os conflitos familiares. Além da doença, todos os outros problemas que giram em torno da história. Adorei!

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