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sexta-feira, 28 de março de 2014

Como falar com um viúvo


Doug Parker não foi um aluno brilhante, não conseguiu entrar para nenhuma universidade de prestígio e era demitido dos empregos de redator com relativa frequência. Enfim, não levava nada muito a sério até conhecer Hailey, bonita, inteligente e cerca de 10 anos mais velha que ele. Quando os dois se casam, Doug deixa para trás a descompromissada vida de solteiro e se dedica a esse amor, acreditando finalmente ter encontrado seu rumo. Mas, dois anos depois, Hailey morre em um acidente de avião e tudo perde o sentido. Tentando lidar com o luto, Doug passa a escrever uma coluna chamada "Como falar com um viúvo", em que desabafa sua dor, relata a dificuldade de expressar seus sentimentos e se lembra da esposa de maneira sincera e cativante. A coluna se torna um grande sucesso - algo com que ele sempre sonhou - só que, infelizmente, no momento errado. Em meio a seu drama, Doug se vê às voltas com o enteado rebelde e a irmã gêmea que se mudou para sua casa decidida a fazê-lo voltar a se relacionar com outras mulheres. E então nada mais é como antes: sua vida passa a se desenrolar em uma divertida sucessão de encontros desventurados e insólitas confusões familiares. Entre tropeços, atropelos e as mais loucas situações, Doug começa a tocar sua vida, ainda que não saiba muito bem para onde. Afinal, muitas vezes o melhor a fazer é seguir em frente. 
Como falar com um viúvo foi uma surpresa deliciosa. Vi o livro em promoção, li alguns comentários positivos e comprei. O processo todo durou menos de 15 minutos e o livro saiu por menos de R$7,00 (com o frete). Confesso que comecei a leitura com certo receio, temendo dar de cara com um protagonista super deprimido. E foi isso que aconteceu. Mas, diferente do que eu imaginava, Doug é o deprimido sarcástico. E a leitura, que tinha tudo para ser melancólica, acabou sendo divertida e sensível.  

Antes dos 30, Doug já tinha se casado com uma mulher bem mais velha, virado padrasto de um adolescente e ficado viúvo. Dá pra pirar a cabeça de qualquer um, né? 

Agora, um ano depois da morte de sua esposa, todos a sua volta acreditam que o prazo de validade do luto já venceu e que Doug precisa retomar sua vida. Mas ele não está pronto. Doug acredita que a cada passo que ele der em direção a uma nova vida, vai ser um passo para longe da Hailey. Ele acredita que quanto mais conseguir seguir em frente, mais distantes as lembranças dela vão ficar e quando isso acontecer, antes que ele perceba, sua rotina vai se tornar alegre, outras pessoas vão entrar em sua vida e sua esposa morta não vai ser mais do um acontecimento triste do passado.

Como se não bastasse, a coluna “Como falar com um viúvo”, que Doug começou a escrever como uma forma de tentar lidar com seus sentimentos, ganha destaque e lhe trás excelente reconhecimento profissional. A sua irmã mais nova, que conheceu o namorado no velório da Hailey, está prestes a se casar. E a companhia aérea vai pagar uma generosa indenização pela morte de Hailey. Em vista desse futuro promissor, o único pensamento presente na mente de Doug é: Se minha mulher não tivesse morrido, nada disso estaria acontecendo. Sendo assim, ele desaprova praticamente tudo que tem alguma ligação com a morte dela.

Sua vida só começa a mudar quando Claire, sua irmã gêmea, resolve se mudar para sua casa e tomar as rédeas da situação. Doug passou o último ano fechado para todas as oportunidades e situações. O que Claire propõe é que Doug passe a falar sim para tudo que surgir. Começando pelo enteado, que está passando por uma fase rebelde e não tem ninguém que realmente se importe com ele. Quando Doug, aos poucos, vai se abrindo para novas possibilidades, ele passa a enxergar sua vida por outra perspectiva e percebe que ele não é o único que tem problemas. A dor é companhia de muita gente.
“Se precisasse de um transplante de rim ou de fígado, eu seria sua melhor opção, porque por dentro somos iguais. Estou apenas aplicando o mesmo princípio. Vou lhe doar um pedaço do meu coração para que você use até o seu voltar a bater.” Página 102

Como eu disse lá em cima, por mais que possa parecer, o livro não é deprimente. A partir do momento em que Doug aceita tentar, diversas situações divertidas acontecem. Encontros mal sucedidos, uma bela briga com o ex-marido de sua mulher morta, uma despedida de solteiro tenebrosa e uma disputa velada com os coelhinhos do quintal são só alguns acontecimentos que permeiam o retorno de Doug para sua vida. 

Os personagens presentes na história são incríveis. Claire é mandona, divertida e adora falar palavrões. Russ é o enteado e apesar de se meter em encrencas é um bom garoto, com um coração enorme. O pai de Doug teve um AVC e tem poucos momentos de lucidez, mas é totalmente fofo. Já a mãe de Doug é uma ex-atriz famosa, que vive a base de remédios e vinho para enfrentar os desafios da vida. 

O livro é narrado pelo próprio Doug e gira em torno do seu recomeço. Mostra o modo como ele enfrenta as situações corriqueiras. É um livro inteligente e sarcástico que, salvo uma grande surpresa nos capítulos finais, não conta com grandes acontecimentos, mas encanta exatamente por isso. Um livro baseado em fatos cotidianos, sem nenhum segredo mirabolante, mas que conquista o leitor por sua franqueza e simplicidade. Super recomendo. 
 "- Você sabe o que é? – me desafia Russ.
- Um espermatozóide em chamas?
- Vá se foder.
- Um meteoro.
- É um cometa – explica ele.
- Qual a diferença?
- Como é que eu vou saber?
- Certo. É um cometa.
Ele acaricia a tatuagem como quem protege algo.
- É o cometa Hailey.
As lágrima me enchem tão rápido os olhos que não tenho como contê-las.
- Sei que o nome verdadeiro não se escreve assim – diz Russ, repentinamente acanhado. – Mas eu gostei da imagem, sabe? O Cometa Hailey. E ela vivia na minha cola por causa dos meus erros de ortografia. De certa forma, faz sentido."  Página 29

6 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar do livro, mas acho que compraria só pelo título rs Melhor coisa que tem é ser surpreendida!
    Adorei a resenha :)
    http://www.doceilusao.com/

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    1. Oii Katy!
      É uma delícia quando o livro nos surpreende, né? :)
      Que bom que você gostou!

      Beijo

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  2. Nossa que baraaaato, ehehehe
    fiquei super curiosa para ler, o título já me chamou atenção de cara!
    :D

    beeijo
    Meninices da vida

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  3. AAAAAAAAAAAAAAWN, eu amo esse autor! Li Tudo Pode Mudar dele e simplesmente me apaixonei pela escrita e pela estória em si, quando soube dos outros livros, imaginei que seria na mesma 'pegada' do que eu li e sua resenha me confirma isso <3 Amo personagens deprimidos e sarcásticos ♥ Aliás, troquei esse livro pelo Skoob e só estou esperando ele chegar aqui. Espero realizar a leitura ainda esse ano *_*
    Ótima resenha!

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

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    1. Fiquei bem curiosa para ler outro livro dele Jeniffer. A escrita é incrível mesmo! :D

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  4. Show! Além de barato parece ser muito bom!!!
    http://lisdelaville.blogspot.com.br/

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