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segunda-feira, 7 de abril de 2014

12 anos de escravidão


A obra que originou o filme 12 Anos de Escravidão retrata a história de Solomon Northup, um homem negro nascido livre nos Estados Unidos, que após ter recebido uma falsa proposta de trabalho, foi sequestrado, drogado e comercializado como escravo, e passou doze anos em cativeiro, trabalhando, na maior parte do tempo, em uma plantação de algodão na Louisiana. Após seu resgate, Northup, com uma escrita simples e ágil, retrata os registros excepcionalmente vívidos e detalhados da vida de um escravo. Este é um dos poucos retratos da escravidão americana, redigido por alguém tão culto quanto Solomon Northup - uma pessoa que viveu sua vida sob a óptica de uma dupla perspectiva: ter sido tanto um homem livre como um escravo.
Eu sempre soube que a época do sistema escravista foi um período extremamente cruel e desumano da história da humanidade. A ideia de ser normal você escolher um determinado grupo de pessoas e passar a tratá-las como propriedade, impondo tratamento que nem um animal receberia é repulsiva

Em 12 anos de escravidão Solomon Northup, um cidadão livre de Nova York, narra a sua experiência com a escravidão. Ele conta como, há mais de 50 anos, seu pai se tornou um homem livre e consequentemente, todos os seus herdeiros eram livres por direito. No início, ele descreve como era sua rotina, sua esposa e seus filhos. É interessante ver os escravos pelos olhos de Solomon, quando ainda era um homem livre. Ele nunca imaginou como seria ser propriedade de outra pessoa e não conseguia entender alguém se contentava em ser escravo. Ele afirma ainda que, sempre que escravos vinham lhe pedir conselhos, ele os encorajava a aproveitar a oportunidade de fugir, se essa surgisse.

Mas como Solomon se tornou um escravo? Certo dia, quando ele estava sozinho procurando algum “bico” na cidade, dois homens o encontraram e disseram estar interessados em seus serviços. Desejavam que ele viajasse com eles por algumas noites e para isso pagariam um bom dinheiro. Sem saber que se tratava de um plano, Solomon caiu na conversa dos homens e aceitou viajar com eles, que se mostravam sempre prestativos e atenciosos. Certa noite, após chegaram em Washington, Solomon foi dopado e vendido a um comerciante de escravos. 

Quando Solomon se deu conta do que tinha acontecido com ele, tentou conversar com o dono do mocambo e afirmou ser um homem livre. Como consequência, foi açoitado quase até a morte. Percebeu então, que nada adiantaria tentar conseguir ajuda contando a verdade e passou a elaborar um plano de fuga, que nunca foi posto em prática.
“Não seria admissível que um cidadão livre de Nova York – que jamais fizera mal a homem algum, nem violara qualquer lei – fosse tratado com tal desumanidade. Todavia, quanto mais eu contemplava minha situação, mais absolutamente confirmavam-se as minhas suspeitas.” Página 26
Durante os 12 anos que se seguiram, Solomon conheceu diversos aspectos da vida de um escravo. A princípio foi contratado por um senhor bom, que respeitava seus escravos, lia a bíblia aos domingos e deu a Solomon a chance de mostrar o que sabia fazer. Devido às habilidades adquiridas como homem livre, ele era bom carpinteiro e até sabia fazer móveis. Logo se tornou um escravo conhecido e importante. Quando precisou ser vendido, conheceu o lado mais sombrio da escravidão. Seu novo senhor era cruel, bebia e não se importava nem um pouco com seus escravos. 

Outro ponto interessante do livro é perceber o que tornava um escravo valioso. Além de ser bom com madeira, Solomon tocava violino. Isso rendia ao seu senhor um lucro extra, pois quando havia festas, Solomon era alugado para tocar. Nessas ocasiões, ele geralmente ganhava alguma gorjeta dos convidados e com o dinheiro podia comprar um chapéu ou talheres.  

Durante toda a narrativa Solomon deixa claro que está contando a sua experiência, tudo que ele presenciou. Ele cita locais, nomes e dados com precisão e transforma o livro em um retrato fiel do sistema escravista da época. Ao mesmo tempo em que mostra a crueldade de alguns senhores, faz questão de ressaltar as pessoas que o ajudaram e o trataram bem. Confesso que, em alguns momentos, me peguei pensando como tal crueldade podia ser real e como uma pessoa foi capaz de provocar tanto sofrimento a outra. 

Enfim, eu sei que a resenha ficou grande, mas não tinha como falar pouco. O livro não chega a 250 páginas, mas a história é densa e detalhada. Nós leva a pensar no que o homem é capaz de fazer com seu igual. É uma leitura incrível e indispensável, sem dúvidas.
“Cicatrizes nas costas de um escravo eram consideradas como sinais indicativos de um espírito rebelde e desobediente, e prejudicavam sua comercialização.” Página 56
P.S: Esse livro deu origem ao filme 12 anos de escravidão, que foi ganhador de melhor filme no Oscar 2014. 

*Esse livro foi uma cortesia da Editora Seoman.

5 comentários:

  1. Ainda não li o livro e nem vi o filme, mas é o tipo de história que me prende. Sei que é baseado em fatos reais e não tenho dúvidas de que vou me emocionar muito com a leitura. Acho mesmo impossível escrever uma resenha curta de uma livro que deve ser tão impressionante!!

    Beijo, Van - Blog do Balaio
    balaiodelivros.blogspot.com.br

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    1. Realmente Van, a leitura prende a gente. Saber que tudo isso aconteceu de verdade, dá um peso no coração. Impossível não se sentir tocado pela história.

      Beijo!

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  2. Parece ser muito bom e uma história incrível!

    Bjux, Jell
    www.urbanoeretro.com.br

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  3. Demais esse livro, mas vc já leu o livro "reverso" escrito pelo autor Darlei...apesar de não ser tão conhecido, se destaca por marcar a história, pois coloca em cheque, as leis que governam o nosso universo, e ainda por cima desafia os principais dogmas religiosos, nossas principais crenças são postas em dilemas cruciais, enfim se trata de um livro arrebatador, esse é o link do livro. Abraços..
    www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem..

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    1. Oii Luis Felipe, ainda não conhecia o livro, mas fui procurar e achei a sinopse interessante. Obrigada pela dica! :)

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