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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Colin Fischer


Resolvendo o crime. Uma expressão facial por vez. O ano letivo de Colin Fischer acabou de começar. Ele tem cartões de memorização com expressões faciais legendadas, um desconcertante conhecimento sobre genética e cinema clássico e um caderno surrado e cheio de orelhas, que usa para registrar suas experiências com a MUITO INTERESSANTE população local. Quando um revólver dispara na cantina, interrompendo a festinha de aniversário de uma das garotas, Colin é o único que pode investigar o caso. Está em suas mãos provar que não foi Wayne Connelly, justamente aquele que mais o atormenta, que trouxe a arma para a escola. Afinal de contas, a arma estava suja de glacê, e Wayne não estava com os dedos sujos de glacê…
Colin Fischer é um nerd, mas não um nerd qualquer. Colin tem Síndrome de Asperger, “uma condição neurológica relacionada ao autismo” (pág 37), ou seja, é extremamente inteligente, mas tem dificuldades em se socializar. Colin não suporta sons estridentes, não gosta de ser tocado e demora um pouquinho para entender o que a expressão facial de uma pessoa quer dizer. Geralmente, ele usa uma tabela onde ilustrou diversas expressões e consegue achar qual corresponde com a que foi exibida. Muito interessante.

Outra mania de Colin é sempre carregar seu caderno vermelho, onde faz anotações de absolutamente tudo que acha necessário. Em seu primeiro dia do colegial, ele realmente tem muito o que anotar. Entre ter sua cabeça enfiada na privada por Wayne Connelly, ser forçado a jogar basquete e (pasme!) fazer arremessos incríveis e presenciar um tiro dentro da cantina, Colin teve um primeiro dia agitado e percebeu que tinha uma missão: descobrir quem levou a arma para a escola. Afinal, ele não podia deixar um inocente levar a culpa. Investigar.  
E para conseguir investigar o que de fato aconteceu na cantina da escola, Colin vai quebrar algumas barreiras. Mentir para os pais pela primeira vez é uma delas. Encarar sua repulsa pela cor azul e ajudar um “inimigo” também. Até onde ele vai conseguir chegar? Observar.
“Sem perceber, Kuleshov confirmou uma antiga crença sobre a melhor maneira de enganar as pessoas: mostre-lhes coisas em que elas queiram acreditar. O resto acontece naturalmente.” Página 72
Colin tem uma pureza e um jeito muito simples de encarar o mundo. Para ele, tudo é baseado em fatos, então basta entender os fatos para entender a realidade. Devido ao seu jeito de pensar, a franqueza está sempre presente nos seus diálogos. Ele fala sobre aquilo que sabe ou que observou, sem medir se isso vai causar desconforto ou vergonha. Mas, diferente do que pode parecer, Colin não é um personagem fraco ou triste. Ele encara os fatos e sabe bem quem ele é. Uma prova é quando o irmão o chama de retardado e ele garante a mãe que está tudo bem.  Afinal, ele sabe que ele tem um Q.I.muito alto e não é retardado e isso encerra o assunto. 

Durante a leitura, fica claro o quanto Colin gosta de estudar e obter novos conhecimentos. Por isso, achei bem bacana o livro conter várias notas de rodapé, explicando mais a fundo alguns assuntos. A diagramação do livro também chama a atenção. No início de cada capítulo, há uma carinha com alguma expressão. No meio da narrativa, encontramos algumas anotações que Colin fez no caderno. Esses trechos nos aproximam ainda mais do personagem. E a capa dispensa comentários, é linda. 

Além de mostrar a relação de um adolescente com Síndrome de Asperger com a escola e com outros adolescentes, o livro mostra como a família lida com as diferenças de Colin. Os autores também abordam a dificuldade que o irmão mais novo de Colin tem em aceitar o tratamento diferenciado que ele recebe dos pais. 

Enfim, é encantador ver o mundo com os olhos de Colin. O seu jeito de pensar e encarar a vida poderia ser um pouquinho utilizado por todos. O final deixou um gancho para um próximo livro e eu realmente espero que os autores considerem escrever mais. Adorei conhecer Colin e gostaria muito de embarcar em outra aventura com ele. 
“Para Colin, isso se aplicava a todas as matérias. Aprender uma coisa era saber essa coisa; saber uma coisa era entender essa coisa; entender essa coisa era enfrentá-la sem medo.” Página 26
*Este livro foi uma cortesia da Editora Novo Conceito. 

5 comentários:

  1. Apesar de ter achado o livro bastante interessante, com um tema fora do comum e história elogiada, não sei se compraria. Se chegasse em minhas mãos talvez eu lesse, mas fora isso...

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  2. Nunca tinha ouvido falar sobre o livro, mas só pela capa já me bateu uma vontarde enorme! E agora que você apresentou o Colin, esse garoto incrível, já está na minha wishlist literária <3

    http://www.heymuchachos.wordpress.com

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    1. Oii Thaís, acho que você vai curtir a leitura! :)

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  3. Nunca ouvi falar deste livro, ao meu conhecimento ele é totalmente novo e a capa é bem original gostei muito! Adoro estórias que nós levam a conhecer algumas formas e dificuldades que as pessoas tem de não se socializar ! Curti muito seu blog, sucesso e continue assim ! Bj. http://tresleitoras.blogspot.com.br

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    1. Diferente a capa, né? Também adorei. Se você gosta do tema, tenho certeza que vai se encantar com o livro.
      E seja super bem vinda ao blog! :)

      Beijo!

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