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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Doador de Memórias


Ganhadora de vários prêmios, Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora - o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes. Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz idéia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar. Premiado com a Medalha John Newbery por sua significativa contribuição à literatura juvenil, este livro tem a rara virtude de contar uma história cheia de suspense, envolver os leitores no drama de seu personagem central e provocar profundas reflexões em pessoas de todas as idades.
Imagine um mundo onde tudo funciona perfeitamente bem. As pessoas têm a vida toda definida pelo sistema e estão felizes com isso. A ideia de poder escolher sua ocupação ou seu conjugue nem passa pela cabeça dos moradores e se alguém se atreve a pensar em algo do tipo, se assusta com estranheza da ideia. Afinal, o sistema passa o dia observando as pessoas e sabe o que é melhor para cada um. Nesse mundo “ideal”, todas as variáveis que podem causar desordem, sofrimento ou desejo são eliminadas. Os moradores não têm permissão para desrespeitar ou questionar a vida e as diferenças dos outros. Não existe dor, nem sofrimento. Tampouco existe amor, ou emoções profundas.

Jonas vive nessa comunidade e está prestes a completar 12 anos, idade em que é definida a ocupação do habitante. Ele sabe que vai ser feliz com a profissão que designarem para ele, mas mesmo assim está apreensivo e ansioso. Quando finalmente chega o dia da cerimônia, Jonas tem uma surpresa: é escolhido para ser o próximo guardião de memórias. Ninguém sabe ao certo o que o guardião faz. A única certeza é que o treinamento é doloroso.

Com o início do treinamento, Jonas passa a ter contato com o Doador de memórias e tem uma grande revelação: o mundo não é como ele conhece. A comunidade não tem consciência de que existe um passado, que existiram guerras e que pessoas morreram de fome. A comunidade sequer sabe que existem cores, vento, amor. Quando, através das memórias que recebe, Jonas conhece essa outra realidade e descobre que existe outra maneira de se viver, ele passa a se sentir deslocado e traído. Em pouco tempo ele percebe o quanto é injusta a maneira de viver de sua comunidade, o que acaba colocando seus valores em cheque.
“- Ele poderia fazer escolhas erradas.
- Ah – Jonas ficou em silêncio um minuto. – Ah, estou entendendo o que quer dizer. Não teria importância quando se referisse a um brinquedo de criança-nova. Mais tarde, porém, teria importância, não é? Não nos atrevemos a deixar as pessoas fazerem escolhas próprias.” Página 102
A princípio, a ideia de um mundo sem desigualdade e sem conflitos parece extremamente atraente. Contudo, com o passar das páginas a autora vai mostrando do que foi preciso abrir mão para que existisse um mundo assim. Além disso, ela mostra que mesmo esse mundo “ideal” não é a prova de falhas. E quando alguma coisa sai do controle, a maneira com que a situação é resolvida é drástica.

A autora conseguiu mostrar que é impossível criar um mundo perfeito. Porém, não posso negar que algumas das regras do mundo que Lowry criou seriam bem utilizadas hoje em dia. Afinal, ultimamente basta acessar alguma fonte de notícias para dar de cara com situações tão absurdas, que chegam a beirar o ridículo. No mundo de Lowry não existe bullyng, as “famílias” têm como hábito conversar no jantar para expor seus sentimentos, as pessoas respeitam as diferenças e limitações dos outros e não se intrometem. No livro, o preço por essas regalias é alto de mais. Na vida real, onde a liberdade é bem maior, as pessoas preferem agir de maneira totalmente contrária. Dão palpite na vida de estranhos, julgam o próximo e, quando estão em casa, se fecham em seu próprio mundo e se esquecem de compartilhar seus feitos com quem realmente se importa.   

O Doador de Memórias é uma leitura rápida, mas que consegue levantar grandes questionamentos. O enredo é muito bem feito e o livro parece não ter páginas suficientes. Terminada a leitura, fica o desejo de tentar encontrar um equilíbrio entre o mundo real e o mundo de O Doador de Memórias.
“- As coisas podiam mudar, Gabe – Jonas continuou a falar. – Podiam ser diferentes. Não sei como, mas deve haver um jeito qualquer para fazê-las ficar diferentes. Poderia haver cores. E avós – acrescentou, fitando o teto de seu dormitório através da penumbra. – E todo mundo teria as lembranças. Você sabe das lembranças – murmurou, virando-se para o berço.” Página 133
*Este livro foi uma cortesia da Editora Arqueiro.

29 comentários:

  1. Eu tô super curiosa para ver o filme, mas quero ler o livro primeiro porque sempre tem algumas coisas que não sai muito igual.
    Agora depois de ler sua resenha fiquei com mais vontade ainda.
    Beijoos
    Pri

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    1. É verdade Pri, o livro costuma ser melhor. Ouvi dizer que acrescentaram várias cenas no filme, que não existem no livro. Vamos esperar para ver, né?

      Beijo!

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  2. Me interessei muito por esse livro quando vi o trailer do filme. Ele me parece ser uma leitura rápida mesmo, mas não superficial. Gostei de saber mais uma opinião sobre ele <3

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

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    1. Oii Jeniffer!
      É exatamente isso, uma leitura rápida, mas um tanto densa. Acho que você vai gostar! ;)

      Beeijo!

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  3. ainda nao conhecia a historia, fiquei bem curiosa tanto com o livro qt com o filme

    www.tofucolorido.blogspot.com
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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    1. Oii Lívia!
      Também estou curiosa para conferir o filme, mas acho mais interessante ler o livro primeiro!

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  4. A premissa desse livro é super interessante, estou super curiosa para ler!

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  5. Fiquei super curiosa, gata!!!

    Bjos

    chuvadecamelias.blogspot.com.br

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  6. Acabei descobrindo o livro pelo filme e já quero ver os 2!
    Beijo

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    1. Bacana quando a gente descobre que o filme não termina ali, né Lala? Espero que você goste do livro!

      Beijo!

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  7. Oi Gabi, tudo bem?? Essa é a primeira resenha que eu leio sobre o livro, mesmo já tendo visto várias e confesso que achei a história muito semelhante à Série Delírio (eu será delírio meu??).
    Provavelmente não vou ler o livro, mas vou ver o filme, mas é porque não estou com disposição para gastar dinheiro com ele... rsrsrs
    Beijinhos
    www.serleitora.com.br

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    1. Oii Érica!
      E agora? Eu nunca li Delírio, mas fui procurar a sinopse e achei que realmente lembra sim. Pode ser que Delírio tenha sido inspirado em O Doador de Memórias, já que Lowry foi uma das primeiras autoras a escrever distopias. Enfim, assiste o filme então e quem sabe você muda de ideia, ou não :Xhaha

      Beijo!

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  8. Todo mundo falando sobre esse livro, to ansiosa para ler
    Beijos
    oceanodajuventude.blogspot.com.br

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  9. Preciso desse livro!! Uma outra amiga blogueira me chamou e disse: leia esse livro, é muito bom! Agora essa sua resenha maravilhosa me arrebatou de vez, vou adquirir o meu o quanto antes!!

    xoxo
    http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

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    1. Thais, acho que você vai gostar! Sei que você curte distopias, então vale a pena! ;) Depois quero saber sua opinião!!

      Beijo!

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  10. Uau a história é muito boa! Não sei se eu vou conseguir ler o livro, mas o filme eu quero assistir :D
    bj diadebrilho.com

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  11. Concordo com tudo o que você falou! É praticamente impossível criar um mundo perfeito, sempre vai haver alguém ou alguma coisa que vai fazer tudo sair dos trilhos. E sim, algumas das regras seriam mais do que bem aplicadas no nosso mundo, mas infelizmente acho que só Deus mesmo pra resolver escrever uma distopia e dar um jeito nisso hahahaa

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem resenha nova de "A Ira dos Anjos" no blog, vem conferir!

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    1. Nooossa, eu quero ler a distopia que Deus escrever! Pensou que incrível? hahah

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  12. Oii!
    aaai Gabrielaaaa!
    estou super curiosa para esse título!
    mas acho que vou dar uma de maaalandrones hahaha, vou ver o filme antes... se me convencer leio o livro!
    afinal acumulei muitos livros.. agora tenho que le-los haha!
    só não gostei dessa capa!
    PORQUE FAZEM AS CAPAS COM FILME?!porque?!?!?!

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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    1. Porqueeee? Também não sou muito fã de usar capas de filmes em livros. Acaba tirando um pouco a beleza, né? Mas admito que gosto dessa capa Lara! haha
      Mas suuper concordo com você!

      Beijo!!

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  13. Eu to ansiosa demais pra ler tanto o livro quanto ver o filme, sua resenha ficou ótima, gosto de livros que fazem a gente questionar, pra mim esses são os melhores.

    http://sublimecapital.blogspot.com.br/

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    1. Oii Thayná!
      São mesmo os melhores, né? Eles não saem da nossa cabeça!
      Que bom que você gostou da resenha! :)

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  14. Oi ^^ adorei seu blog, to começando um, se der passa lá
    http://radiacaolunar.blogspot.com.br/

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  15. Oi Gabi, boa tarde!
    Estive presente no encontro para blogueiros parceiros da Arqueiro na Bienal (uma amiga minha é parceria, e eu fui para acompanhá-la) e pude ouvir um pouquinho sobre o livro. Mas foi um pouquinho, só o bastante para despertar aquela curiosidade do tipo "hm, interessante, quem sabe um dia". Afinal, eles tinham pouco tempo e muitos livros para apresentar. Mas agora, lendo sua resenha, fiquei "AI MEU DEUS EU PRECISO LER"! Sério, fiquei MUITO curiosa, parece ser o tipo de livro que eu iria amar e sofrer quando chegasse ao fim, por não querer que acabasse. Acho que vou comprar. Preciso comprar, hehe. Uma pena que só vou encontrar com a capa do filme agora :(
    Beijos e ótima semana!

    http://confissoesdeumleitor.wordpress.com/

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    1. Oii Liah!
      Que bom que você se identificou tanto com o livro. Eu acho que você vai gostar e realmente vai ficar com essa sensação de "PORQUEEEEE não tem mais umas 100 páginas? D:". haha
      E quanto a capa, será que você não encontra alguma edição antiga em sebos? Ou joga no facebook, quem sabe alguém tem e está afim de vender. :)

      Beijo!!

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  16. Oi Gabriela!

    Vi esse livro um dia na livraria, mas não sabia nada sobre a história. Parece ser bem legal, é bom encontrarmos leituras deste tipo, que nos ajudam a refletir sobre como a nossa sociedade tá meio desconfigurada, sei lá. Felizmente, minha família ainda é bem unida e conversamos bastante, apesar da era dos celulares e Facebook's aparecerem um pouco nos nossos almoços, mas nada que pedir pra desligar eles não façam, hehe.

    Beijos,
    alanahomrich.blogspot.com.br

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