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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Delírio


Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos.
Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas.
Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?
Você já se apaixonou alguma vez na vida? Então sabe como o amor pode deixar qualquer um “fora do eixo”. Pessoas já fizeram loucuras por amor, já mataram e morreram, choraram, mudaram completamente a sua vida e, mesmo assim, afirmam que o amor é a melhor coisa que existe no mundo. No livro Delírio, esses sentimentos intensos que o amor produz foram considerados sintomas e o amor foi classificado como uma doença extremamente perigosa, que pode levar a morte.

Nessa distopia, todo jovem deve, ao completar 18 anos, passar pela cura: uma pequena cirurgia que desativa grande parte das emoções. A cura proporciona uma vida sem dor, sem tristeza e sem ressentimentos, transforma adolescentes ansiosos em adultos exemplares. O governo garante que tudo fica melhor depois da cura. E Lena acredita. Faltam poucos meses para a garota passar pela cura e isso é o que ela mais deseja na vida. Sua família é marcada por desgraças causadas pelo amor e o que Lena mais quer é estar segura, poder ser uma pessoa normal, como qualquer outra.

Mas Lena não podia estar mais enganada quanto à cura. Quando sua melhor amiga (Hana) começa a agir de forma estranha, insinuando que as coisas podem ser um pouco diferentes do que elas acreditam, Lena acaba entrando em um mar de incertezas. E quando ela conhece Alex, tudo piora de vez. Ela percebe que está apaixonada e que isso não é uma coisa ruim. Mas esse não é justamente um dos sintomas? Agora Lena corre contra o tempo para aproveitar ao máximo os dias que restam até a cura.
“É incrível, Lena. Tanta gente, provavelmente em todo o país, esgueirando-se pelas frestas do sistema. Você deveria ver algumas das coisas que as pessoas escrevem. Sobre...sobre a cura.” Página 87
Gente, o que falar desse livro? Tem muito tempo que ele estava na minha lista de desejados e fiquei muito feliz quando acabei ganhando de amigo secreto (tem vídeo aqui!). Comecei a ler assim que chegou e não me decepcionei.

A narração é feita pela Lena e no início de cada capítulo há uma citação, um sintoma ou uma regra relacionada ao amor. A história conta com alguns desdobramentos interessantes e um tanto inesperados, que deixam a história ainda mais interessante, mas não posso citar sem contar spoilers. D:

Eu gosto muito dessa ideia da desconstrução do amor, de vê-lo como uma doença e da quantidade de “sintomas” que realmente se encaixam. A premissa da história se assemelha com O Doador de Memórias, onde a sociedade convive pacificamente e não tem consciência de que existe dor e amor. Porém, em Delírio é interessante ver o quanto a sociedade do livro se parece com a nossa. A internet e celular estão presentes, assim como a consciência da dor e do amor e a eterna busca por uma vida mais fácil. Hoje em dia existem os temidos “maus do século”, a busca irracional por corpos maravilhosos, os carros desejo, a vida perfeita. É isso que me encanta em distopias como essa: o quão absurdo a ideia parece a um primeiro momento e o quão perto de comportamentos parecidos nós estamos. 

Assim como a Lowry, Lauren mostra as duras desvantagens de uma sociedade que tenta a todo custo evitar a dor. Recomendo muuuito à leitura e estou super ansiosa para ler Pandemônio, o próximo livro da trilogia. 
“Seres humanos, em seu estado natural, são imprevisíveis, instáveis e infelizes. Somente quando seus instintos animais são controlados eles podem ser responsáveis, confiáveis e satisfeitos.” Página 173 

8 comentários:

  1. Gabi, acho que vou gostar bastante desse livro. Algumas amigas já falaram muito bem dessa trilogia. Já anotei aqui na minha listinha. ♥ Acho interessante essa visão, né? De que o amor é uma doença. E dependendo do ponto de vista, até pode ser mesmo. Até pq acho que o amor está bastante banalizado e as pessoas não estão usando muito bem. E muitas vezes esse sentimento nos traz tristeza, decepções, né? Mas ainda acredito e não quero deixar de acreditar nunca. Dica anotada! ;-)

    Beijocas e feliz 2015,
    Carol
    www.pequenajornalista.com.br

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    1. Oii Carol!
      Realmente, tem muita gente banalizando o amor e outras pessoas adoecendo por causa dele.
      E eu também super acredito no amor! ♥
      Espero que você goste do livro!!

      Beijo!

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  2. Oi Gabriela, adorei a resenha!

    Já faz algum tempo que conheço esse livro por nome, sabe? Algum dia do passado me apaixonei pela capa dele e desde então ele está na minha lista de "vou ler", mas nunca dei muita atenção. A sua é a primeira resenha que leio sobre o livro e fiquei bem animada. Faz um bom tempo que não leio distopias e essa desconstrução do amor deve ser realmente bem interessante.

    Beijos,
    alanahomrich.blogspot.com.br

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    1. Oii Alana!
      Que bom que você gostou!
      Também demorei um bom tempo para ter a oportunidade de ler esse livro, mas não me arrependo nenhum pouco. Espero que você goste tanto quanto eu gostei!
      E depois que você ler, vem me contar o que achou, ein?

      Beijo!

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  3. Gabi, eu adoro essa trilogia, já li todos.
    O dois é o meu preferido.
    Infelizmente o três acaba de forma muito abrupta, sem explicar muitas e muitas coisas.
    Essa coisa da desconstrução do amor é realmente super interessante e diferente para uma história. Eu só não pensei em O Doador de Memórias porque li bem antes de sair o filme (Não li o livro ainda, ops), mas a comparação é válida.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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    1. Oii Teca!
      Sério? Que pena! Eu estou doooida para ler os outros dois, mas ainda não consegui comprar! :/
      Vou ficar esperta para não criar tantas expectativas pelo terceiro livro, valeu a dica! :)
      E leeeia O Doador de Memórias, vale a pena! :D

      Beijão!!

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  4. Estou muito curiosa sobre essa trilogia, também está na minha lista de "quero ler" há um bom tempo. Fiz uma troca pelo Skoob ano passado e consegui o primeiro livro, mas não quero começar a ler sem ter os outros dois, porque, se pegar o ritmo da leitura, não ter que esperar comprar e receber a continuação. Só que estou naquele "castigo" alto imposto de não comprar livros novos até ler boa parte do que já tenho em casa, então acho que não devo ler pelo menos por uns dois meses. Mas adorei ver o livro aqui no seu blog e saber que você gostou, me deu ainda mais vontade de ler *-----------*

    Beijos e ótima semana ♥

    Confissões de um Leitor

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  5. Aiii você tá certa Liah! Eu li o primeiro e fiquei dooooida para ler os outros, mas ai tenho vários aqui para serem lidos e ainda não deu certo de comprar.
    Mas assim que você tiver todos, leia sim! Eu adoreeei! :D

    Beijo!

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