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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Mundo Cão


Unindo elementos de literatura marginal com sentimentos altruístas, surge Mundo Cão, que narra, em primeira pessoa, a história de Pedro Contino, um jovem que so¬fre desde cedo por conta das peripécias da vida, e, por mais que busque o melhor, vê, em sua sombra, o caos. Morador da favela Roda Vida, Pedro poderia ter traçado qualquer caminho, mas a vida escolheu um em especial. Mesmo em meio à ausência de recursos, é apresentado à literatura por um vizinho mais velho, e, por conta dela, cria uma importante consciência social. Guiado por músicas e livros, ele logo percebe como tudo funciona. Indigna-se e, amargamente, percebe que não tem poder para realizar uma mudança no mundo…
O caos já faz parte dele, envolvendo-se com drogas, álcool, e, para completar, com as mais belas e loucas mulheres.
Pedro mora na favela Roda Viva e sabe muito bem quais são os perigos das escolhas erradas. Ele sempre foi diferente, cheio de ideias e planos de se tornar alguém. Influenciado pelo vizinho professor, Pedro embarcou na literatura e conseguiu dar sentido aos pensamentos que giravam em sua cabeça e pareciam estar fora do lugar. E, sabendo que ele tinha que ganhar a vida de algum jeito, considerou suas opções. 

O tráfico de drogas sempre foi o caminho mais fácil, mas que geralmente levava à morte precoce de quem embarcava nessa. Com isso na cabeça, Pedro resolveu tentar uma vida diferente. Saiu em busca de um emprego de verdade, que pudesse mudar sua vida de alguma forma e acabou encontrando a solução em um bar. Daqueles alternativos, que tocam música boa e que tem um ambiente gostoso. Daqueles que exibem cartazes de “Estamos Contratando”.  
Trabalhando apenas durante a noite e ganhando dinheiro o suficiente para todas as suas necessidades, Pedro parece ter encontrado a fórmula da felicidade. Mas ela dura pouco. Afinal, vivemos em um mundo cão
“Embora estivesse tendo de fato uma vida quase normal, frequentando praias, cinemas e restaurantes. Isso realmente me assustava, quando você está por cima tudo parece tão calmo, tranquilo e bom, terrivelmente bom. Poderia algo ser mais pavoroso que o medo de que aquilo acabasse?” Página100 
Pedro é um personagem difícil. Começou bem, agradou e conquistou. Mas, no decorrer da história teve algumas atitudes detestáveis e eu fiquei bem brava com ele. Por mais que Pedro consiga conquistar algumas das coisas que sempre sonhou, ele continua insatisfeito. E quando a gente está infeliz, o mundo vem e bate com força. E Pedro percebe que a vida não está para brincadeiras. Um passo errado e sua vida pode mudar para pior, muito pior.

Apesar de o livro se tratar de uma ficção, ele aborda situações reais com grande fidelidade. Pedro é o retrato do cara que nasceu na favela e não tem recursos, mas que é essencialmente bom. Que quer ser alguém na vida. Que tem sonhos. Porém, quando ele entra de cabeça no mundo lá fora, começa a lidar com pessoas e situações complicadas, ele percebe que para ter uma vida digna é preciso bem mais do que boa vontade. Pedro descobre, da pior forma possível, que a sociedade é realmente corrompida. 

O livro também está recheado de referências musicais e literárias. Tem desde Gabriel, o pensador até Bukowski, passando por Legião Urbana, Pedro Gabriel, Emicida e muitos outros. Essas referências enriquecem ainda mais o livro. 

Mundo Cão não é um livro denso, a escrita é fácil e as páginas são poucas, mas ainda assim não é um livro leve. A história faz você refletir e questionar. Até que ponto o ser humano pode chegar? De que maneira o ambiente e as condições sociais influenciam na vida de uma pessoa? O homem é vítima dos outros ou de suas próprias ações?
“O que devemos fazer com nossa tão querida liberdade? Nós não temos grupos de amizade duradouros, a globalização se expandiu demais, tudo hoje é passageiro, supérfluo, obsoleto.” Página 65
*Este livro foi uma cortesia da Editora Novo Século.

5 comentários:

  1. Interessante, mas confesso que não faz o gênero que costume gostar de ler. Mas que bom que o livro não decepciona. A reflexão que ele traz é bem importante, achei bem legal.

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

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  2. Nossa, parece um livro fantástico. Não tinha ouvido/lido falar neste livro até agora, e ele com certeza vai ser minha próxima leitura!
    Gostei da sua resenha, e do seu blog.

    Beijos,
    Camila
    blogbrainfood.blogspot.com

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    1. Oii Camila!
      Bem vinda ao blog!
      É um livro interessante, sim! Espero que você goste!
      Beijo!

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  3. Ola Gabriela, muito obrigado pela força! Fico feliz por ter conseguido passar o foco principal do livro. Acho legal que tenha sentido raiva em alguns momentos, rs. Afinal, vivemos a época dos absurdos, e devemos sentir raiva disso. Como Disse Franz Kafka
    “Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?”. Enfim, muito obrigado pela resenha e pelo apoio, gostei muito! Um abraço!

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    1. Com certeza! Há situações que precisam despertar nossa raiva e nos tirar do comodismo. Parabéns pelo livro e muito sucesso na sua carreira! :)

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